NORATLAS - AGUA DE PENA


No inicio da década de 60, com o eclodir da luta armada nas províncias ultramarinas, a FAP foi obrigada a alterar o seu plano de aquisições, tendo sido colocado a ênfase no desenvolvimento de uma força aérea táctica, com unidades operacionais e de cooperação com o exército e um comando de suporte logístico apropriado. O re-equipamento dos Transportes Aéreos Militares começou em 1960, com a aquisição de seis aviões Nord 2502-A Noratlas à companhia aérea Francesa.
A partir de Setembro 1977, todos os Noratlas ainda em serviço na FAP foram declarados como excedentes e as suas funções passaram a ser desempenhadas pelos Aviocars e o par de C-130 Hércules.Esta aeronave (N. 2501 Noratlas 6419) foi bombardeada a 13 de Novembro de 1975 pela Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira, organizadora terrorista paramilitar, cujo principal objectivo era conseguir a independência da Madeira, de Portugal Continental.

Shorts Solent da Aquila Airways

Hidroavião Shorts Solent da Aquila Airways a aterra na Baía de Machico (raro, normalmente era no Funchal).

Dia Negro na Historia da Madeira



O Atlantis marcou várias gerações existiu até Março de 2000.

O complexo integrava um plano de cidade turística, que incluía, um hotel, apartamentos turísticos, o clube de bridge com restaurante, sala de jogos e bar inglês, um centro comercial com cinema e bowling e uma piscina olímpica com o restaurante de janelas com vista para o interior da piscina.

A necessidade de ampliação da pista do aeroporto implicou a demolição do hotel num processo muito complexo e demorado de que ainda hoje restam os estigmas.

A implosão do edifício ditou o início do fim, hoje, o que não se encontra abandonado é propriedade de particulares, o restante complexo está abandonado à espera de melhores dias.

Terras de Machim






Fotos .:: Pedro Sá ::.

PNR avança com proposta para novo hotel em Machico

A imagem é (ainda) virtual. Foto PNR
A candidatura do Partido Nacional Renovador (PNR) à Câmara de Machico divulgou hoje um desenho de um projecto para resolver o impasse do forte de São João Baptista.
Álvaro Araújo sugere a construção de uma unidade hoteleira próximo do cais de Machico com 150 quartos de capacidade.
Segundo a candidatura, “esta unidade irá permitir a criação de 100 postos de trabalho directos, diminuindo desta forma o desemprego elevado do concelho”.
Segundo o PNR “o financiamento desta unidade já está praticamente assegurado mediante contactos já efectuados e com a elaboração de um plano A e Plano B relativo ao financiamento. A Câmara apenas irá facilitar a parte burocrática, tornando o processo de execução mais rápido”.

Retirado de: https://funchalnoticias.net/2017/08/31/pnr-avanca-com-proposta-para-novo-hotel-em-machico/ 

Machico visto do Caminho das Voltinhas


O Forte São João Baptista


Fachos em Machico









“Os fachos, um acto de significado na memória colectiva e tradição etno-religioso em Machico.” Albino Luís Nunes Viveiros
A tradição dos fachos, tema de análise no presente exercício é um resquício dos primórdios do sistema de defesa militar da costa madeirense e das suas populações. Hoje reflectir sobre esta antiga estratégia de defesa é deambular por um retalho do património cultural perpetuado anualmente pelas gentes da Freguesia de Machico, no reviver de uma das tradições “etno-religiosas” locais com mais de um século, os fachos. É nossa pretensão historiar os fachos numa perspectiva patrimonial, enquanto elemento de significado religioso para a população local, paralelamente, ao facto de assumir uma vertente etnográfica da tradição enraizada na cultura local junto dos forasteiros. Procuraremos realizar um estudo capaz de construir pontes entre o local e o global.
Da estratégia de defesa à tradição popular
O Arquipélago da Madeira durante os séculos XVII e XVIII foi alvo preferencial de ataques e pilhagens protagonizadas por parte de corsários e piratas, pois, os núcleos populacionais, especialmente os localizados junto à orla marítima, a par das embarcações que navegavam ao largo da Madeira e que com a ilha mantinham relações comerciais, eram um atractivo para o exercício da pilhagem. Dos inúmeros ataques ficaram célebres, os desencadeados pelos franceses em 1566 ao Funchal, e o dos argelinos, em 1616 à Ilha do Porto Santo. A ameaça permanente de pilhagens fez emergir no seio das comunidades, a necessidade urgente de planear e executar estratégias de alarme e defesa da costa, das populações e seus bens. No contexto militar, o primeiro sistema de alarme e defesa no Arquipélago da Madeira foi os fachos. Uma estratégia de defesa utilizada entre os séculos XVI e XVIII. Nos inícios do séc. XIX, apesar da Madeira se encontrar sob a ocupação inglesa, o sistema primitivo de defesa implementado na Madeira, ainda era utilizado pelas gentes locais.
Os fachos desempenhavam uma dupla função: a de defesa e comunicação entre os diferentes núcleos populacionais e inter-ilhas (Madeira e Porto Santo). Os sinais luminosos eram aviso às populações e àqueles que tinham por missão a defesa do território e das suas gentes. O Pico do Facho em Machico, topónimo herdado do facho que outrora ali se acendera, era ponto de comunicação com os picos da Ilha do Porto Santo – Pico do Facho e Pico do Facho da Malhada e ainda, com as Ilhas Desertas que conserva o topónimo Ilha do Facho. O facho de Machico também estabelecia um canal de comunicação com o facho do Pico do Telégrafo na Freguesia do Caniço . Os fachos enquanto sistema de alerta e defesa das populações não foram artefactos exclusivos do Arquipélago da Madeira, encontramos referências a esta estratégia militar no Norte Litoral de Portugal. Neste quadro geográfico de referência acerca da existência dos fachos, podemos enunciar a Torre das Colmeias na Fervença e a Torre entre Ponte da Barca e S. Gião. Mas, a utilização do facho enquanto sistema de apoio à navegação remonta ao tempo da ocupação romana . Em tempos históricos, em pontos estratégicos das margens da costa nortenha portuguesa acendiam-se no alto das torres os fachos que serviam de apoio à navegação, que simultaneamente eram postos de observação e vigilância. No séc. XIX, ao longo da Província do Minho, os fachos eram denominados por “fachos da borda mar”. No território insular português, os fachos também foram perpetuados na toponímia local, referência para a Ilha Terceira no Arquipélago dos Açores. Em matéria de defesa, a costa Sul da Madeira foi dotada do sistema de vigias que tinham por missão a defesa das populações costeiras, enquanto que foi definido para toda a ilha, um sistema de comunicação por sinais luminosos entre si, e ao longo da orla costeira como refere João Adriano Ribeiro. Este investigador apresenta um possível mapa de comunicação entre os fachos espalhados pela ilha. O facho de Machico comunicava com um outro que estava estabelecido em S. Jorge; outro nos Lamaceiros no Porto Moniz; o da Ponta do Pargo era precedido do facho da Calheta e ainda, um outro nas proximidades do Cabo Girão, no Pico do Facho, Concelho de Câmara de Lobos.
Curiosamente, encontramos nas Achadas da Cruz, Concelho do Porto Moniz, o topónimo Cabeço do Facho. Há registo da existência de um posto de vigia na Deserta Grande criado no início do séc. XVII. Esta estrutura militar era suporte de apoio a um canal tripartido de comunicação estabelecido entre Machico, Porto Santo e Ilhas Desertas. A 16 de Abril de 1567 entrou em vigor o Regimento das Vigias decretado pela Rainha-Avó D. Catarina que governava o Reino durante a menoridade do Rei D. Sebastião. Uma medida régia que originou primeiramente, a instalação de vigias na Capitania de Machico, atendendo a que a vila era mais vulnerável a ataques de piratas e corsários. O Regimento das Vigias determinava que o trabalho de coordenação da defesa era atribuído aos oficiais do concelho e ao capitão. Era este oficial que determinaria os lugares das vigias e escolheria os respectivos homens. As vigias seriam feitas em turnos diurnos e nocturnos. Ao turno diurno corresponderia dois homens; um desde o amanhecer até ao meio-dia e o outro, desde essa hora até ao anoitecer, enquanto que, a vigia da noite era feita com três homens. De dia, o alarme às populações seria comunicado por meio de sinais de fumo ou através de fachos, à noite haveria sempre um arcabuz “ao menos sevado he prestes com fogo aceso” pronto a sinalizar o perigo na costa. A vigilância dos mares e da costa do Arquipélago da Madeira constituía um serviço cívico e de vital importância para a segurança e bem-estar das populações. Assim, os homens eram chamados a participar em missões de defesa, hierarquicamente subordinados aos capitães das companhias de ordenanças das diversas localidades, conforme alvará de 1569 promulgado por D. Sebastião, que estabelecia a obrigatoriedade de que ninguém ficasse isento desse serviço. As vigias eram “estações militares e simultaneamente fiscais, que vigiavam o mar, as costas e praias, afim de darem alarme de corsários ou de quaisquer outros navios inimigos, e evitar contrabandos. As vigias eram feitas pelos povos, em pequenas casas fortes, de preposito construídas para resistir ao mar, e evitar surprêsas”. Os homens destacados em missão nas vigias eram apelidados de facheiros ou vigias, porque alguns locais daquelas vigias se designavam por fachos. Curiosamente foi no domínio filipino que foi criado o cargo de Facheiro de Machico. Aos facheiros cabia a responsabilidade de ter lenha e pinhas na coroa do pico, afim de atear-lhe fogo à noite alertando as populações de que “velas inimigas estavam à vista” e depois convocando por toques de sino e búzios os demais, exigindo-se a todos que pegassem em armas ou se colocassem em fuga, conforma a situação de cada povoado. As vigias também eram designadas por fachos, quando instaladas em pontos elevados da orla marítima ou do interior, e cujo aviso era dado às populações por meio de fachos. Os Anais do Município do Porto Santo referem que no Pico do Facho daquela ilha, estava um homem para dar sinal por meio de ramos durante o dia, e de noite para sinalizar através dos aludidos fachos.
A Freguesia de Machico conserva o testemunho arquitectónico de uma antiga vigia localizada no Pico do Facho datada do séc. XVII/XVIII. Actualmente, consequência da incúria dos homens e ausência de um plano de salvaguarda dos resquícios do património arquitectónico militar dos primórdios do povoamento das ilhas, a vigia é uma infra-estrutura de apoio às telecomunicações. A vigia do Pico do Facho é um pequeno edifício de arquitectura militar, de planta circular construída em pedra basáltica e coberta por uma cúpula em alvenaria. Apresenta uma porta elevada em cantaria voltada para sul com vista privilegiada sobre o Oceano Atlântico e para as ilhas vizinhas de Porto Santo e Desertas, e uma janela com moldura de cantaria vermelha.
Os fachos na vivência religiosa e etnográfica da comunidade machiquense
As estratégias de defesa militar do Arquipélago da Madeira evoluíram e com elas, os fachos perderam a sua função primária, a defesa da costa e das gentes da ilha. Para uma leitura diacrónica dos acontecimentos que historiam a tradição dos fachos, é de todo o interesse revisitar a história e alguns momentos passados da tradição. Carlos Cristóvão define os fachos como uma “espécie de fogueiras feitas com pinhas, que tiveram origem no tempo das pilhagens dos corsários e que o povo, na sua simplicidade espontânea, acendia e continua a acender, mas em menor quantidade, na Festa do Santíssimo Sacramento em Machico, para homenagear o Redentor”.
No início do séc. XX, algumas solenidades religiosas celebradas em Machico eram ornamentadas com os fachos. Em Agosto de 1903 e 1905, a Festa do Santíssimo Sacramento foi abrilhantada à noite com os fachos. Eles eram concebidos com lenha e pinhas, atendendo a que originariamente era com lenha que o fogo era ateado, alertando as populações para o perigo eminente. No ano de 1904 a mesma ornamentação foi dada à festividade de São Roque. Os fachos eram “… constituídos por montinhos de pinhas crepitantes, em que as raparigas andaram em longa faina pela serra para as poderem reunir. Antigamente, as capas da cebola pelas encostas, transluzia na noite da véspera, contando uma torcida de estopa embebida na minguada concha de azeite. E o vale tremia todo em cintilações e espasmos de luz, em labaredas reinosas num aspecto deslumbrante”.
A tradição dos fachos é uma vivência comunitária profundamente enraizada na cultura popular das gentes da Freguesia de Machico e única na Madeira. Na obra Ilhas de Zargo este retalho da tradição é descrito do seguinte modo: “Consta de fogueiras, queima de pinhas e toros regados de petróleo, que o povo vai buscar à serra dias antes da festa. Para isso reúne-se ao toque de búzios, partindo de noite em romaria e regressando numa enorme bicha, ao som de toques e descantes, as pinhas dentro de sacos, toros velhos às costas e feixes de ramagens secas à cabeça. A queima faz-se na véspera, ao anoitecer, nas encostas sobranceiras à vila, dispostos aos fogachos em figuras alegóricas, letras, nomes e desenhos alusivos à festa”. A tradição dos fachos é uma das vivências etno-religiosas com maior significado simbólico para as gentes de Machico. Um acto de identidade cultural e afirmação da alteridade sociocultural do povo perante os outros. A reprodução cíclica da tradição dos fachos conheceu na década de 60/70 do séc. XX, um período marcado pela decadência da vivência comunitária da tradição provocada pela divisão da Freguesia de Machico em paróquias. De acordo com a história oral, só o Sítio da Misericórdia é que manteve a tradição viva. Do processo divisório resultou na década de 60 as paróquias da Ribeira Seca (1961/64), a do Piquinho (1962/67) e a das Preces (1964/68). Uma nova realidade da administração diocesana marcada por razões de expansão dos núcleos populacionais e com estas, as necessidades religiosas, os fenómenos geográficos e meteorológicos (aluviões) e meios de comunicação. Hoje a tradição é vivida apenas pela população afecta à Paróquia de Machico. É na pessoa do seu pároco, Pe. António Martinho, o principal impulsionador do renascer da tradição dos fachos em Machico que continua a adoptar um papel preponderante na dinâmica sociocultural, que a população local ganhou no acto revitalizador da tradição. É na noite da vigília da Festa do Santíssimo Sacramento celebrada no último Domingo de Agosto, que os fachos iluminam as encostas do Vale de Machico. Um espectáculo de luz repleto de criatividade, humanismo e de um profundo sentimento de religiosidade manifestado desde os primórdios da tradição, que nos dias de hoje ainda mantém essa identidade. As estruturas que corporizam as figuras alegóricas continuam a ser (re)construídas com varas de madeira que alguns dias antes da queima dos fachos, um grupo de jovens e adultos vão buscar à serra. Em alguns sítios da Freguesia de Machico esta prática ritual começou a dar sinais de inovação, um processo marcado pela substituição das ditas estruturas de madeira por metálicas que permanecem inalteráveis ano após ano. Esta mudança favorece o trabalho voluntário, havendo apenas que criar um perímetro de segurança em torno do facho, por forma, a evitar possíveis focos de incêndio em mato. A tradição dos fachos repete-se ciclicamente com as gentes dos Sítios da Graça, Misericórdia, Banda d’ Além, Pé da Ladeira, Pontinha, Paraíso e da Serra d’ Água a investirem a sua mestria e criatividade com o intuito de aperfeiçoar o facho do respectivo sítio. Um acto marcado de forma discreta pela competição sadia na comunidade local e pela preservação da identidade cultural. A este propósito de referir, que o facho do Sítio do Piquinho é excepção à tradição centenária, pois, este é alimentado através do sistema eléctrico. Os fachos são concebidos com o recurso a materiais como: arame, pregos, óleo queimado e bolas de algodão (desperdício). Estes dois últimos elementos são adquiridos pela paróquia junto de empresas regionais e distribuídos aos grupos, segundo as necessidades do facho de cada sítio. A Casa do Povo local apoia esta tradição religiosa e etnográfica com a promoção de um convívio para todos os indivíduos envolvidos na dinamização dos fachos. O espectáculo de fogo e imagem produzido pelos fachos resulta da combinação das bolas de algodão que são embebidas no óleo queimado e presas com arame à estrutura previamente preparada. Estas bolas são colocadas habilidosamente de forma equidistante e simétrica; uma perícia que proporcionará um belíssimo espectáculo. De acordo com dados disponibilizados pela paróquia, em 2007 foram acesos cerca de nove mil bolas. O Sábado é o dia da celebração daquela que é uma tradição centenária. É grande a azáfama nos diferentes sítios. As encostas do Vale de Machico é como que invadidas pelas gentes num labor incansável, lançam-se foguetes desde a manhã até o entardecer, mas, um dos momentos mais festivos do dia, é às 12h com o lançamento de uma salva de foguetes. No berço da freguesia soa o toque do búzio junto ao facho, como que um ritual sagrado que recorda outros tempos em que o som saído do búzio era o alerta às populações dos eminentes ataques corsários. O búzio que outrora foi instrumento de comunicação, hoje assume um papel simbólico na revitalização da tradição e é um dos adereços etnográficos do Grupo de Folclore de Machico. A aproximação da hora de acender dos fachos congrega milhares de pessoas, locais e forasteiros, que nesta noite invadem os espaços públicos do centro e periferia da Cidade de Machico para assistirem a uma tradição singular na região. Os homens distribuídos estrategicamente pela estrutura do facho acendem-no pelas 21h, respeitando a tradição que uma vez mais, se empenharam no reviver este ritual etnográfico e religioso. Depois eles rapidamente descem das encostas guiados por tochas com o objectivo de observarem a queima dos fachos. Os fachos queimam durante cerca de trinta minutos, sensivelmente, logo vão-se apagando espontaneamente como que morrendo, para ciclicamente voltarem a nascer. Depois, segue-se a missa da vigília da Festa do Santíssimo Sacramento na Igreja Matriz de Machico.
Possíveis leituras da tradição dos fachos. A tradição entre o local e o global
Os fachos corporizam ícones religiosos como a custódia, cruzes, o cálice, peixes, barcos (caravela e a traineira) e outros objectos mutáveis no tempo, mas com uma identidade associada aos hábitos e costumes da antiga Vila de Machico. O antigo caminho vizinhal entre o Miradouro Francisco Álvares de Nóbrega e o Sítio do Pé da Ladeira também é ornamentado com os fachos. Importa documentar que parte do Caminho do Leiria, entre o estaleiro e o cais era “ornamentado” a preceito da tradição, de forma a acompanhar os outros fachos. A tradição em estudo sugere duas possíveis leituras. Uma leitura com uma forte conectividade religiosa, pois, os objectos cristãos assumem uma forte posição na reprodução comunitária da tradição que desde sempre, esteve associada à vivência cristã. Recorde-se que os fachos foram adorno de algumas festividades religiosas no início do séc. XX. Os fachos poderão ser interpretados como forma de Acção de Graças ou será um antigo acto de agradecimento que foi conquistando um espaço na memória colectiva e transposto para a vida religiosa local? O empenho da paróquia local no apoio à dinamização da tradição dos fachos poderá motivar uma maior incidência para esta leitura. Uma outra leitura é sugerida pela relação de cumplicidade que as gentes da Freguesia de Machico têm com o mar. Uma relação testemunhada pelas gentes daquela que foi uma vila piscatória com raízes na indústria naval, testemunho desta actividade era o antigo estaleiro. Os símbolos religiosos de que a tradição dos fachos se reveste têm uma dimensão social relevante. As cruzes, ícones religiosos são símbolos enriquecidos pela tradição cristã, eles simbolizam o Cristo Crucificado. A barca que ganha uma dimensão globalizante suscita outras leituras. Uma associada à vida socioeconómica da comunidade local, a faina; e uma outra leitura de cariz religioso. A barca simbolismo da viagem, da travessia ou da vida terrena dos cristãos ou até mesmo, a barca de Pedro. O elemento central do facho é o fogo. Ele simboliza o espírito divino, a purificação. O fogo é sinal de presença e acção do Criador, é expressão da santidade e da transcendência divina. O elemento fogo expressa vida e luz em oposição às trevas. Os peixes outro elemento caracterizador das figuras alegóricas corporizadas nos fachos. Eles simbolizam a figura de Cristo para os primeiros cristãos. Será a representatividade do milagre da multiplicação do pão e dos peixes ou o milagre operado no lago onde Pedro e os companheiros pescavam? Facto é que, a tradição dos fachos não é um ritual comunitário circunscrito ao espaço geográfico da Freguesia de Machico. Na Galiza a “Festa dos Fachós” é uma expressão cultural comunitária. Em terras galegas a celebração dos fachos assume um ritual distinto daquele que anualmente tem lugar em Machico. No Concello Castro Caldelas a “Festa dos Fachós” acontece em Janeiro com a população local a carregar pela mão, um facho acesso (um grande feixe de palha, à semelhança de uma tocha) que à noite, os habitantes da vila percorrem em procissão pelas ruas. Um ritual que culmina no adro da igreja com a união de todos os fachos, originando uma grande fogueira em redor da qual, jovens e velhos dançam até de madrugada. Um acontecimento marcado pela música e pelas manifestações de alegria. As origens desta celebração galega são desconhecidas. Há teorias que a associam à tradição cristã nomeadamente, com a busca do corpo do mártir São Sebastião, pois esta tradição também é chamada de Festa de San Sebastián. Uma outra teoria coloca este ritual cíclico em acontecimentos da vida social da vila galega. A mesma tradição galega, a “Festa dos Fachós” é celebrada no Concello Redondela. Nesta localidade a explicação para a manutenção destas práticas comunitárias aproxima-a de uma componente reivindicativa para a defesa do património natural local. O certo é que a celebração da “Festa dos Fachós” está documentada desde meados do séc. XVIII.
A tradição, um recurso turístico-cultural
Na nossa perspectiva o desenvolvimento cultural de uma comunidade tem que estar sustentado nas sinergias do local. Os fachos na Freguesia de Machico são um recurso cultural e patrimonial que tem um percurso enquanto tradição fortemente enraizada na memória colectiva das gentes de Machico. As instituições com responsabilidades directa nas políticas de desenvolvimento, têm que abrir um canal de promoção que resgate a tradição dos fachos, pois, pensamos que ela é um possível cartaz turístico-cultural do concelho. A aliança entre a identidade comunitária e o património cultural é uma simbiose estruturante para a sustentabilidade de novos projectos no domínio do turismo cultural e religioso, uma modalidade com fortes potencialidades de crescimento e conquista de um espaço próprio na política turística regional.
Bibliografia
AA.VV. (2005), Inventário do Património Imóvel do Concelho de Machico, col. «Inventários do Património de Machico», Machico, Câmara Municipal de Machico e ARCHAIS – Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira.
CARDOSO, Zita (2001), Machico Cidade Histórica, ACAPORAMA – Associação das Casas do Povo da Região Autónoma da Madeira e Casa do Povo de Machico.
CRISTOVÃO, Carlos (1989), Elucidário de Machico, Machico, Câmara Municipal de Machico.
GHEERBRANT, Alain; Jean Chevalier (1994), Dicionário dos Símbolos, Lisboa, Editorial Teorema.
MENESES, Carlos Azevedo; Pe. Fernando Augusto da Silva (1998), Elucidário Madeirense, vol. I e II, Funchal, Secretaria Regional do Turismo e Cultura.
PEREIRA, Eduardo C. N. (1989), Ilhas de Zargo, vol. I e II, Funchal, Câmara Municipal do Funchal.
RIBEIRO, João Adriano (2001), Machico subsídios para a história do seu concelho, Machico, Câmara Municipal de Machico.
SARMENTO, Alberto Artur (1953), «Machico», Freguesias da Madeira, Funchal, Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, pp. 45-52.
VERÍSSIMO, Nelson (2000), Relações de Poder na Sociedade Madeirense no século XVII, col. «História da Madeira», Funchal, Secretaria Regional do Turismo e Cultura.
Internet
“A Festa dos Fachos” (disponível na Internet em http://www.turismoredondela.es/gal_festas_fachos.php) Arquivo capturado em 01-07-2007
“Os Fachos” (disponível em http://www.castrocaldelas.es/fachos.asp?sub=8) Arquivo capturado em 01-07-2007
“O Significado do Fogo” (disponível em http://www.hermanubis.com.br/artigos/BR/ARBROSSignificadoDoFogo.htm) Arquivado capturado em 01-07-2007

Texto retirado de https://machicoonline.wordpress.com/2012/08/20/festa-do-santissimo-sacramento-e-dos-fachos-em-machico/

Quiosque da Banda D'Além - Machico

Quem se recorda deste Quiosque? Comer um cone de batata frita enquanto esperava pelo autocarro?

Belos tempos :)

A arte da Pesca - Machico


Forte de São João Baptista



O Forte de São João Baptista, também referido como Forte do Desembarcadouro, localiza-se junto ao cais em Machico, na freguesia do Machico, concelho do Machico, na ilha da Madeira, Região Autónoma da Madeira.

Foi erguido por determinação do governador e capitão-general da Madeira, Duarte Sodré Pereira, em 1708, de acordo com a inscrição epigráfica sobre o Portão de Armas.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), as forças liberais na ilha fizeram fogo deste forte contra a esquadra Miguelista. Tendo o brigue "Infante D. Sebastião" respondido o fogo, o forte sofreu ligeiros danos (22 de agosto de 1828).[2]

No século XX, em 1910 as suas dependências foram utilizado como hospital de coléricos, tendo sido erguidas casas de madeira em seu terrapleno para esse fim.[3] Mais tarde foi utilizado como colónia de férias das crianças do Convento de Santa Clara do Funchal.

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 18 de agosto de 1943.

Após a Revolução dos Cravos (1974), as suas dependências alojaram retornados das ex-colónias portuguesas em África.

Até 2002 esteve na posse de algumas famílias de Machico, que aí viveram por mais de vinte anos.

MADEIRA Machico Caniçal Ponta de São Lourenço 4k

EMPREENDIMENTO TURÍSTICO MATUR


Cartaz promocional do Hotel Madeira In


O projeto do complexo de Estoril agradou tanto a Fernanda Pires que Lolô foi logo incumbido de comandar a elaboração de um complexo turístico internacional na Ilha de Madeira. 

Arquipélago localizado a 1.050 km de Lisboa, e conhecido pelo seu clima ameno - propício para o cultivo de diversos tipos de cultura, desde as tropicais como a cana-de-açucar até as temperadas como a vinha e árvores frutíferas – possui, além da riqueza do solo, uma beleza natural invejável das suas encostas e praias. O empreendimento foi projetado para aproveitar as suas belezas e o clima, ideais para férias em qualquer época do ano. 



O complexo possui:


piscina olímpica

restaurante com janelas dando diretamente para as paredes laterais da piscina

boite

club de bridge com restaurante, sala de jogos e bar em estilo inglês

centro comercial com cinema e bowling



A piscina, construída num vale, entre acácias e pinheiros, tem como anexo o restaurante-esplanada, com capacidade de 180 pessoas, além de terraços para banhos de sol. O restaurante fica a um nível mais baixo do que a piscina e, pela parede envidraçada, podem-se observar as evoluções dos nadadores. o clube internacional de bridge da madeira faz parte integrante da Matur, o primeiro complexo turístico de Água de Pena. É um edíficio em vidro e cimento, situado entre o aeroporto e a antiga cidade de Machico, porto onde os portugueses desembarcaram em 1420. Deste edifício pode-se admirar a Ponta de Sao Lourenço e as Ilhas Desertas. Ele tem uma sala de jogo com quarenta mesas, dois closed, um bar, restaurante, boite e um salão espaçoso. Uma bela varanda rodeia todo o clube. 

sede de bridge, em madeira.




O governo português estabeleceu, em Madeira, o primeiro empreendimento de urbanização turística do país, levando em conta todos os atrativos da ilha, desde o clima e as culturas agrícolas, até a beleza natural das praias e o conforto e a modernidade dos estabelecimentos. O marco fundador e símbolo da inclusão de Portugal no turismo de larga escala foi a construção do primeiro Holliday In em solo lusitano – maior cadeia hoteleira do mundo, na época com mais de mil e quatrocentos hotéis espalhados pela Europa e América do Norte. O novo hotel integrava um plano de cidade turística que estava sendo construída pela empresa MATUR – ramificação local do grupo Grão Pará – que contou com a direção técnica e projetos de Lolô Cornelsen.



piscina olímpica com laterais em vidro



O empreendimento oferece ainda excursões de barco em redor da ilha, bem como a prática de esportes náuticos como pesca e sky. O conjunto é completado com um campo de golfe de 9 buracos.




HOLIDAY INN MADEIRA



fac-simile da capa do folder promocional. 


Trata-se do primeiro Holiday Inn em Portugal. Construído a poucos quilômetros do aeroporto de funchal, localiza-se perto da baia do Machico, famosa pela sua beleza. Dispõe de 300 quartos com 24 suítes, 2 piscinas de verão e uma de inverno, heliporto, além tudo o que pode oferecer um hotel de luxo. 


Logo: design de Lolô


O projeto arquitetônico do hotel de Madeira ficou sob responsabilidade de Ayrton Cornelsen e foi considerado pela própria rede hoteleira o mais moderno e mais exuberante hotel de toda rede. Situado na baía de Machico, o hotel, executado entre 1970 e 1972, possuía trezentos quartos com vinte e quatro suítes, um heliporto em sua cobertura, duas piscinas ao ar livre e uma coberta. Em sua composição estética, Lolô incorporou elementos típicos da arquitetura local, adaptando a técnica moderna aos elementos de interesse turístico da cultura madeirense. Para o arquiteto, o edifício, além de oferecer o conforto e a comodidade de uma ordenação funcional exigida pelos turistas europeus e americanos, tinha que incorporar em sua decoração traços que sugerissem a especificidade da ilha. 



Visão da piscina térmica interna
Vista do conjunto de apartamentos e piscina olímpica.




flats do complexo em Madeira. construídos com linhas modernistas, harmonizam-se com os aspectos da cultura em socalcos, características locais. Amplas passagens ligam entre si estes flats, que dispóem de um quarto de duas camas, com casa de banho, uma pequena cozinha e living-room que dá para um terraço ajardinado.


















memorial: perfil da piscina térmica em 1:25. Justificativa: o antigo face à face ao contemporâneo. o antigo: fonte barroca; o contemporâneo: painel escultórico, material concreto. idealização de Manfred, 1970.




Texto retirado de http://www.lolocornelsen.com.br/engenharia%20-%20obras%20-%20hoteis%20-%20madeinn.htm